A História rumo a uma Metodologia que Transforma a Comunicação

Imagen destacada

A voz que abria caminhos com perguntas

Na primeira metade do século XX, Milton H. Erickson começou a revolucionar a comunicação humana com o seu enfoque hipnótico indirecto. Com a sua voz pausada e metáforas sugestivas, descobriu que podia orientar mudanças profundas na mente humana sem recorrer a ordens directas, permitindo que cada pessoa encontrasse as suas próprias soluções. Sem o saber, estava a lançar as bases de uma evolução que atravessaria muitas décadas e diversas disciplinas.

Quando a comunicação interpessoal se tornou ciência

Na costa oeste dos Estados Unidos, no final da década de cinquenta, um grupo de cientistas e terapeutas, liderado por Donald Jackson, Gregory Bateson, Paul Watzlawick, Jay Haley e John Weakland, fundou o Mental Research Institute (MRI) – conhecido internacionalmente como a “Escola de Palo Alto”, na Califórnia. Ali, fortemente inspirados por Erickson, sistematizaram um conjunto revolucionário de princípios conhecido como a Pragmática da Comunicação Humana. Demonstraram que cada gesto, cada silêncio, constitui uma forma poderosa de comunicar e que, paradoxalmente, muitas vezes as soluções tentadas pelas pessoas para resolver os seus problemas eram precisamente as mesmas que os perpetuavam.

Uma precisão cirúrgica na arte de dialogar

Passaram-se as décadas e, em Itália, surgiu um herdeiro intelectual dessa escola de pensamento: Giorgio Nardone. Este psicólogo italiano, trabalhando de perto com Watzlawick, desenvolveu o Diálogo Estratégico, que viria a ser apelidado de “hipnose sem transe”. A sua técnica refinada e directa, baseada na lógica paradoxal e em prescrições contra-intuitivas, tornou-se uma metodologia poderosa e eficaz na resolução rápida de problemas humanos complexos, sobretudo no contexto clínico.

Dois caminhos distintos convergem para a mesma visão

Mas a história não terminava aí. Em Espanha, nos primórdios do novo milénio, Pedro Meireles Sobral e Belén Ortega Bellé, profissionais com trajectos ricos e diversos, convergiram num propósito comum, juntamente com a sua equipa de trabalho e os alunos mais avançados.

Pedro, especialista em consultoria estratégica e processos empresariais, tinha percorrido caminhos profissionais intensos pela Europa e América Latina, acumulando experiência em gestão da mudança e comunicação estratégica. Belén, psicóloga com uma sólida formação em terapia breve estratégica e ampla experiência em consultoria organizacional, aportava um enfoque pragmático e humano à sua prática clínica e empresarial.

Ambos realizaram estudos avançados, com a sua equipa inicial, no Centro di Terapia Strategica de Arezzo, trabalhando com o próprio Nardone, e no MRI de Palo Alto.

Inspirados pelos ensinamentos desses mestres e movidos pela necessidade de uma metodologia que servisse um público mais amplo, combinando a exigência de eficácia estratégica com a igualmente importante ética comunicativa, decidiram avançar com algo mais ambicioso: ampliar e adaptar a aplicação destas técnicas a contextos não exclusivamente clínicos, integrando profissionais de ajuda em geral e qualquer pessoa que pudesse beneficiar de estruturar a sua comunicação interpessoal, introduzindo a flexibilidade e a eficácia das técnicas dialógicas.

Isto porque verificaram que a aplicação de “manobras terapêuticas comunicativas” —muito eficazes, éticas no seu contexto e mitigadoras do sofrimento— era percebida de forma diferente por quem não tinha razões (ou assim o entendia) para solicitar ajuda psicológica.

Estudo, prática e síntese: rumo a uma nova metodologia

Em 2005, com a fundação do Centro de Estudos Avançados em Comunicação e Problem Solving Estratégico, em Madrid, começaram a aperfeiçoar a fusão de décadas de sabedoria acumulada, de Erickson a Nardone, passando por Palo Alto. Mantiveram sempre a tradição de enriquecer os enquadramentos teóricos com influências de sabedorias milenares, como as 36 Estratégias Chinesas ou a arte grega de Métis, deusa da sabedoria, da prudência e da astúcia.

Finalmente, em 2016, nasceu formalmente a metodologia “Diálogo entre Cerebros”.

Não era apenas mais uma abordagem terapêutica ou de coaching; era um método estruturado de técnicas dialógicas para facilitar a comunicação interpessoal, concebido para co-criar soluções através da sincronização empática entre interlocutores.

O seu propósito era escapar ao tradicional “colete” dialéctico e permitir a descoberta conjunta de soluções eficazes, reforçando a colaboração e elevando a performance nos contextos pessoais, empresariais e institucionais.

Esta aventura intelectual e operacional está igualmente documentada no seu livro “Trabajo en Alta Performance: Pragmática y Problem Solving en la senda de la Escuela de Palo Alto”,publicado no final de 2015, que estabeleceu as bases teórico-práticas que continuam hoje a orientar profissionais de todos os perfis, desde executivos e negociadores até psicólogos e terapeutas.

Aplicações reais, impacto tangível

Actualmente, o “Diálogo entre Cérebros” continua a evoluir. As suas técnicas, baseadas em perguntas estratégicas, entre outras, e na persuasão ética, aplicam-se em programas de treino avançado para líderes, equipas de alta direcção, instituições públicas —como a equipa de negociação da Polícia Nacional Espanhola— e empresas multinacionais. Mas não por isso se afastou da prática terapêutica, conduzida por Belén, pelos seus colegas e pelos alunos.

Da sala de aula ao algoritmo: um novo cenário para nos compreendermos

Também se deu um passo importante rumo ao futuro com a adopção das novas tecnologias. Através de cursos online inovadores —tanto serios como divertidos— e da integração de “treinadores” de inteligência artificial, procura democratizar o acesso a esta poderosa metodologia, desmistificando certos supostos “segredos” e tabus da comunicação interpessoal.

Estes cursos online, que começam a estar disponíveis para todos os públicos, combinam a profundidade teórica com interacções práticas, permitindo que cada vez mais pessoas experimentem a transformação real proporcionada por uma comunicação eficaz e empática.

Do sussurro “ericksoniano” à inteligência artificial

Assim, das técnicas sugestivas de Milton Erickson às salas de reunião das grandes corporações modernas, passando por plataformas digitais de educação interactiva, a história do “Diálogo entre Cérebros” lembra-nos de forma poderosa que o verdadeiro motor da evolução humana continua a ser a comunicação assente no entendimento mútuo.

TOP
💬 Pregunta sobre el curso

Uso de cookies

Este sitio web utiliza cookies para que usted tenga la mejor experiencia de usuario. Si continúa navegando está dando su consentimiento para la aceptación de las mencionadas cookies y la aceptación de nuestra política de cookies, pinche el enlace para mayor información.cookies

ACEPTAR
Aviso de cookies